quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Promessas para 2009

A primeira promessa que eu fiz ao adentrar o novo ano foi que voltarei a fumar em 2009. Se tem uma coisa de que tenho horror é o discurso anti-tabagista. O pior é que larguei o cigarro. Perdi a vontade, nem sei explicar. Muita gente ainda vem conversar comigo e fala "Mas por que você não larga o cigarro?". Eu dou risada. Nem percebem, coitados, que eu já parei de fumar faz tempo.

E minha saúde não melhorou não. Desde que parei de fumar, minha respiração piorou umas 100 vezes. O pior é quando escuto que para abrir os brônquios do pulmão, devo parar de fumar. Olha, já estou convencida do contrário. Eu tenho mais é que voltar a fumar, senão a minha saúde (e o meu pulmão) vão pro saco.

Aí vocês perguntam: mas por que, Paola, você parou de fumar? Aí é que está. Não foi de propósito. Eu simplesmente perdi a vontade. E isso aconteceu porque nunca fui viciada em cigarro, ao contrário do que muitos podem acreditar. Ah, sim, porque o discurso tabagista tem como premissa principal o dogma de que toda pessoa que fuma é viciada. Imbecis. Nunca fui, tanto é que já faz quase um ano que parei e não sinto falta. Pelo contrário, gostaria é de poder sentir falta, e voltar a fumar, e emagrecer sentada, com as pernas pro ar, sem precisar nadar 1.800 metros, em água suja, três vezes por semana. Não sabiam vocês que cigarro, além de tudo, emagrece?


Aí vem o cretino e diz: "Mas você não é viciada porque começou faz pouco tempo". Meu bem, comecei há exatos dez anos, num belo verão no Rio de Janeiro. Se dez anos não for suficiente para viciar o que pode ser viciado, então não sei do que você está falando. O pessoal acha, hoje, que cigarro é como crack. Que a Philip Morris é o traficante malvado dos tempos modernos. Não é. E nem adianta: não vou perder tempo respondendo quem perguntar se então eu quero dizer que cigarro não vicia. Não sejam assim. Tudo pode viciar. O cara do Arquivo X não é viciado em sexo? Quer estupidez maior? Aí vem nego e diz que sexo vicia. Tá certo. Só é complicado de entender por que a população de um planeta com seis bilhões de pessoas atualmente vem praticando o sexo desde que surgiu na face da Terra e só agora inventaram que tal prática vicia. E chocolate, vicia? E coca-cola? Eu, particulamente, tenho meus pequenos vícios. Não conto por aqui porque não vou facilitar a ação dos inimigos. Os inimigos, para eles, deixo a idéia de que sou viciada em cigarro. Ha. Que piada.

Ontem, ao passear pela praia logo depois da meia-noite, me deparei com algumas figuras esquisitas. Um grupo de homens malhados vestidos de branco falavam sobre o dedo que o Lula perdeu. Olha, pelo amor de Deus, sabe? Seis anos novos se passaram e esse assunto ainda não esgotou tudo o que tinha pra ser esgotado? Outro papo que ouvi pelo caminho foi de uma senhora, um pouco mais velha, que gritou aos meus ouvidos, já bêbada de espumante barato, que em 2009, a primeira promessa que iria cumprir seria parar de fumar.

Ai, que tédio.

Eu, Paola De Orte, prometo que, em 2009:

Voltarei a fumar.