segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A arte contemporânea deixa o mundo idiota

Não é que eu deva dar bola para jovens, nem que eu deva pensar "ah, mas eles são tão jovens e idiotas" ou então, eu sei, alguém vai levantar a mão e dizer "querida, não se importe com isso, sente-se para um chá", mas é que sempre surgem uns problemas urgentes e eu penso que devo dar o ar de desabafar um pouco com vocês, fellow readers.

Eu não sei se o mais ridículo é a Bienal deixar um andar vazio e chamar de "protesto" ou se são os stickers que, efetivamente, protestaram colando, ãhn, stickers, ou se são os pixadores. Pixadores me dão sono. No dia em que pixação for sinal de protesto, avisem. Por enquanto, é sinal de retardo.

E esse negócio de "bienal do vazio"? Protestando contra a falta de dinheiro para a bienal? Nunca vi dessa, agora pobre tem orgulho de ser pobre, quer mostrar e pede esmola em rede nacional. Deve ser ótimo ser o curador da bienal e mostrar para todo o Brasil o quão estúpido e incapaz de conseguir verbas você é. Thanks, man. Você é demais. Estou feliz que meus impostos não foram gastos com você, espèce d'imbecile.

Outra coisa, qualé a dessa história de chamar tudo o que é arte "mais ou menos" de "arte urbana"? Será que alguém pode, de uma vez por todas, me dizer qual é o contrário de "arte urbana"? Seria ela a "arte caipira", a "arte do interior", a "arte fugere urbem"?

Se é pra avacalhar de uma vez, vamos dizer que tudo que é podre está englobado na arte urbana. Então, Lygia Clark é arte urbana. E seus globos terrestres com perucas. E olha que essa obra nem é dela. Tanto faz, é tudo igual. Raso, medíocre e sem objetivo.

E para que ninguém saia desse blog sem o "pensamento profundo do dia", deixo com vocês esta maravilhosa frase da "artista plástica" Ana Maria Tavares.

- O Vazio é apenas ilusório.

Nunca alguém resumiu tudo em tão pouco. Ana Maria, eu também espero que tudo isso não passe de uma ilusão. Embora, certamente, não nos mesmos termos que você.

domingo, 5 de outubro de 2008

Deixem a ficção em paz só um pouquinho faz favor



Dizer que o politicamente correto já deu o que tinha que dar também já deu o que tinha que dar. Não há mais quem agüente esse negócio de não poder falar nada, de não poder chamar as pessoas pela cor que elas tem, pelo sexo que elas gostam, de não poder fumar um cigarro em paz, enfim. Aliás, virou até moda branco dizer “e xingar alguém de branco pode, né?”. É meu filho, pára de ser ridículo também que nem é esse o caso.

O que me deixou “de cara” (uma expressão mega-curitibana, enfim) agora foi essa história dos cegos protestando contra o Ensaio sobre a Cegueira nos Estados Unidos. Agora parece que o politicamente correto além de acabar com a falta de noção das pessoas também acabou com a capacidade de interpretação delas.

O presidente da Associação dos Cegos, ou qualquer coisa assim, lá nos USA, já declarou que o filme vê os cegos como monstros. Oi? Dá pra aprender a ler as coisas menos ao pé da letra? A entender metáfora? A se dar ao trabalho de interpretar? A, não sei, quem sabe levar as coisas um pouco mais a sério e enxergar menos a humanidade como pequenos microcosmos muito diferentes um do outro e egoístas ao extremo, incapazes de enxergar qualquer outro ponto a ser defensável que não o seu?

Daqui a pouco eles proíbem coisas do tipo “em terra de cego, quem tem um olho é rei” porque esse ditado quer dizer que os cegos são burros e não sabem votar e olha, façam-me o favor, não tornem o mundo mais chato do que ele já é ou eu vou ter que começar a campanha aqui, Campanha de Incentivo às Mulheres Meio Morenas Meio Brancas Sem Cor Definida Com Hiperlordose Nas Costas Que Têm Cabelo Pichaim Porém Disfarçam Com Pranchinha.

Não há quem agüente esse mundo. That’s it, I´m moving to Canada.