quarta-feira, 20 de agosto de 2008

The Labyrinth


Anthropos apteros for days
Walked whistling round and round the Maze,
Relying happily upon
His temperment for getting on.

The hundreth time he sighted, though,
A bush he left an hour ago,
He halted where four alleys crossed,
And recognized that he was lost.


"Where am I?" Metaphysics says
No question can be asked unless
It has an answer, so I can
Assume this maze has got a plan.

If theologians are correct,
A Plan implies an Architect:
A God-built maze would be, I'm sure,
The Universe in minature.

Are data from the world of Sense,
In that case, valid evidence?
What in the universe I know
Can give directions how to go?

All Mathematics would suggest
A steady straight line as the best,
But left and right alternately
Is consonant with History.

Aesthetics, though, believes all Art
Intends to gratify the heart:
Rejecting disciplines like these,
Must I, then, go which way I please?

Such reasoning is only true
If we accept the classic view,
Which we have no right to assert,
According to the Introvert.

His absolute pre-supposition
Is - Man creates his own condition:
This maze was not divinely built,
But is secreted by my guilt.

The centre that I cannot find
Is known to my unconscious Mind;
I have no reason to despair
Because I am already there.

My problem is how not to will;
They move most quickly who stand still;
I'm only lost until I see
I'm lost because I want to be.

If this should fail, perhaps I should,
As certain educators would,
Content myself with the conclusion;
In theory there is no solution.

All statements about what I feel,
Like I-am-lost, are quite unreal:
My knowledge ends where it began;
A hedge is taller than a man."


Anthropos apteros, perplexed
To know which turning to take next,
Looked up and wished he were a bird
To whom such doubts must seem absurd.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Só para quem tem colhões


Bem, é claro que eu não tenho. Ara Abrahamavian é quem tem. Não gostou de ter levado a medalha de bronze. Achou que foi injustiçado. Que o juiz mandou mal, podemos dizer. O cara é atleta de "luta greco-romana", que já é o esporte mais legal, só pelo nome.

"Eu não me importo com esta medalha. Eu queria o ouro" . Tá certo. Quem quer menos do que o ouro é trouxa. Aliás, não existe slogan pior do que o clássico entre os losers "O importante é competir". Não é. O importante é ganhar.

E é por isso que eu não me inscrevo em nenhuma competição.

“Esta será a minha última luta. Eu queria o ouro, mas agora considero esta Olimpíada um fracasso”

É um fracasso mesmo. Aliás, eu odeio esportes em geral. Qualquer tipo. Nataçãojudôfutebolbasquetevôleijogaravópelajanela, pra mim é tudo a mesma coisa. É que nem sonífero. Começa aquela narração lenta: "Fulano de tal passa a bola para". Meu, que fulano de tal, que bola? O que é uma bola? Por que eu me importaria com a capacidade de outras pessoas que não eu em manejar suas bolas? Não entendo torcer. Não entendo torcida. Não entendo nada disso, e sei que é porque eu sou mala.

Mas isso nem vem ao caso.

Olha, cena boa mesmo na Olimpíadas não foi Michael Phelps, Daiane Mala dos Santos nem nada. Foi Ara Abrahamavian tacando a medalha no chão. Ora, tá certo. Eu também jogaria. E também acho todo mundo que não concorda comigo um fracasso.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Keats and Yeats are always on my side


Minha vovó, dona Lydia, me ligou nesta agradável tarde de trabalho e me lembrou que nunca é tarde demais para ser romântica.

- Como é mesmo o nome daquele poema do Yeats que você gosta? Acho que é o mesmo que eu gostei!

Fellow readers, compartilho.

He Wishes for the Cloths of Heaven

Had I the heavens’ embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

I hate movies

sábado, 2 de agosto de 2008

A eterna reinvenção da literatura



Não é apenas sobre pensar se tudo já foi dito sobre o amor, mas sobre chegar à conclusão de que tudo não pode ter sido dito porque a sua história, leitor, ainda não foi escrita.

É besteira dizer que tudo já foi feito. Se os grandes escritores pensassem assim, Adolfo Bioy Casares nunca teria escrito A Invenção de Morel, no ano de 1940, época em que certamente já se repetia à exaustão o bordão: “Na literatura, nada é novo”.

Em A Invenção de Morel, tudo é novo, isso fica claro se pensarmos que o livro passou a figurar em todas as listas de melhores livros de ficção do século XX.

Mas quem somos nós para julgarmos o século XX, se nascemos nele?

(Com exceção de você, criança semi-alfabetizada que parou por aqui sem querer. E se parou e está lendo, meus parabéns, talvez você se torne um grande escritor um dia e possa chutar a cara de todos esses imbecis que dizem que é impossível inventar alguma coisa nova só para poder justificar toda sua obra pastiche).

Sabemos que julgar a nossa história muito de perto é besteira. Só o tempo pode julgar certos acontecimentos e a maior parte da nossa literatura.

Entretanto, se eu pudesse fazer uma aposta, diria que a Invenção de Morel ficará na história da literatura por muito e muito tempo.

E pensar que no mesmo ano foram escritos O Deserto dos Tártaros, do Dino Buzatti, e O Coração é um caçador solitário, da Carson McCullers. Coincidentemente, dois livros previamente revisados nesta publicação.

Aí você pode dizer, claro, mas talvez 1940 tenha sido apenas um ano especial para a literatura.

Bom, em 1939, um pouquinho antes, foram lançados As Vinhas da Ira, do John Steinbeck, e Finnegan’s Wake, do James Joyce. Então ficamos acordados que não foi tudo uma grande coincidência?

É fato que a humanidade pareça estar sempre em decadência, mas eu aposto minhas fichas que neste momento, caminha por aí o novo gênio, perturbado com a atual situação na literatura, mas bolando uma maneira de mandar o seu aviso. Ele diz: “Ei galera, vai ficar tudo bem”.

Vamos voltar ao Bioy Casares.

A Invenção de Morel não é apenas mais uma história de amor, mesmo que os sentimentos sejam os mesmos, que os ciúmes, a loucura, a ilusão, e tudo o que é ancestral e passional esteja contido nele.

A genialidade da narrativa e o desfecho da história do amor do escritor venezuelano por Faustine é que tornam essa história única. Não é à toa que Jorge Luis Borges, amigo de Bioy Casares, ao ler a novela, afirmou que não lhe parecia uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la como perfeita.

(Para a Revista Idéias n° 81)