since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;
wholly to be a fool
while Spring is in the world
my blood approves,
and kisses are a far better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry
--the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says
we are for eachother: then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph
And death i think is no parenthesis
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
cummings
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
A Amante
Marguerite Duras não tem marido, não tem namorado, não tem amor. Marguerite Duras tem amantes. E apesar da conotação que fazemos na língua portuguesa (e também na francesa, língua da madame) com significados como infidelidade, traição, luxúria, entre outros termos desonrosos, os amantes de Marguerite nada tinham a ver com isso.
De Marguerite? Estou falando de Marguerite ou da personagem de seus livros? É um dilema. Sabemos que parte, talvez a maior parte, de tudo aquilo que Marguerite Duras escreveu era verdade. Seu amante chinês, seus irmãos Paul e Pierre, sua infância em Saigon, na Indochina.
É um livro em que o eu - lírico é confuso e é melhor deixar teorias literárias de lado. A opção mais sensata é mergulhar na leitura como se fosse de verdade. É maravilhoso (e faz nascerem esperanças de que a vida possa ser original) pensar que em algum momento dos anos 1940 nasceu uma mocinha pobre em Saigon sem a companhia de um pai, cuja mãe enlouqueceu e que mantinha uma relação de medo e amor quase sexual com os irmãos. Isto é, uma relação de horror em relação ao irmão Paul, violento e viciado em ópio, e de amor com o irmão mais novo, o petit frère Pierre.
Ainda mais surpreendente é pensar que essa mesma menina, em sua adolescência, perto dos 15 anos, passou a ter amantes. Amantes é como Marguerite os chamava. Eles não eram homens casados. Ou melhor, ele não era um homem casado. O Chinês. O seu primeiro. A menina o conheceu e ele a achou vulgar. E então se apaixonou.
Tudo em seus livros é paixão. E é paixão objetiva. Marguerite é mulher de frases curtas e cenas breves. A maneira como ela traduz todo o amor e todo o sentimento que existe impressiona. A menina suja, a menina prostituta, por quem o Chinês se apaixona. A história é absurda. E vulgar. O amor que o chinês de 26 anos passa a sentir pela menina, que nem saiu da adolescência, causa asco e compaixão ao mesmo tempo.
A Cosac Naify lançou duas edições belíssimas de O Amante e O homem sentado no corredor e A doença da morte que, bem, são da Cosac Naify e acho que não é preciso dizer mais.
Ler Marguerite Duras dá vontade de viver. E de se apaixonar.
Um pouquinho de O Amante da China do Norte:
- Você tem medo por qual dos seus filhos, Senhora?
A mãe olha o Chinês, ela se levanta para partir e então se senta de novo.
O Chinês diz:
- Eu peço perdão.
A mãe recomeça, ela diz:
- Você deveria saber Senhor, mesmo o amor de um cachorro, ele é sagrado. E nós temos esse direito – tão sagrado quanto o direito de viver – de não ter que prestar contas a ninguém.
(Para a Revista Idéias nº 76)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
O infinito curvo é você
Clara, não é que eu não queira, você tem os cabelos mais bonitos que eu já vi. Sobre a fronha formam um labirinto escuro cuja saída não quero encontrar. Como eu adoro desfazer os seus coques, sentir o cheiro das suas tranças, embaraçar os nós dos fios nos meus dedos e encostar meus lábios perto da sua nuca, onde eles se reúnem e te contam segredos.
Clara, não é difícil amar você. Deitar-me ao lado do ilíaco dos teus ossos, sussurrar palavras para que a tua pele durma em paz, Clara, para cada uma das suas manchas e sardas eu desejo boa noite.
Clara, o contorno da tua cintura quando faz sombra sobre o lençol é a linha perfeita do infinito curvo. Quando você não está ali, o peso que deixa sobre o colchão desenha marcas que me fazem pensar sobre a perfeição do universo.
Clara, para medir a espessura do seu pulso criei um novo padrão medida. Ele é baseado no número de vezes que a ponta dos meus dedos consegue tocar as suas veias esverdeadas por milímetro.
Não durmo, Clara. Não posso dormir enquanto a sombra da sua existência continuar caminhando pelas minhas noites em pensamentos insônes, são imagens grotescas do contorno do seu corpo desenhado em tantos outros colchões. Quero dormir e você não deixa.
Clara, por favor me deixe ir embora, não posso, é insuportável.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
This is for Londonnnnnn
Lembro de uma conversa que tive uma vez na Gávea (quem estava presente, levante a mão) sobre o motivo de eu só respeitar artistas que parecem sentir o que estão dizendo. Não estou falando sobre inspiração. Vou deixar esse tópico polêmico de lado. Inspiração x trabalho não é o tema. O que quero dizer é: o artista tem que ser tão talentoso a ponto de me convencer de que está sentindo alguma coisa. Pode estar mentindo. Todo mundo mente em textos. Vocês não acham que eu saio por aí assediando moças chamadas Normas, mas, bem, eu tento mentir pra parecer que faço.
Só pra causar polêmica, vou contar pra vocês que eu estava falando do Chico Buarque. Não consigo me sentir tocada por praticamente nada do que esse cara escreveu, cantou ou falou. Sempre achei ele um insosso. E também nunca achei ele bonito, mas bom, aí já é outra questão.
O Chico Buarque não tem nada a ver com a história, ele só foi inserido no contexto para provocar comentários odiosos e desnecessários.
O assunto aqui é a Amy Winehouse. Vocês viram a expressão dela ao ganhar o Grammy de Best Record? Tudo o que eu posso dizer é: eu chorei. Aí vocês dizem, bom, Paola, se o assunto desse post é que você adora a Amy Winehouse e que você chora, pode trocar o disco.
Não é, po, prestem atenção. Alguém já viu algum artista fazer essa expressão ao receber um prêmio? É sempre um eterno caras e bocas, “i’m the Best”, os caras socam o ar, Justin Timberlake says “yessssss”, Rihanna exibe um vestido que revela os mínimos detalhes da sua bunda e por aí vai.
Não que eu queira comparar Rihanna e Justin Timberlake com Amy Winehouse. Por favor.
Bom lembrar que Amy Winehouse estava em rehab e não conseguiu visto para ir aos Estados Unidos receber o prêmio. Tiveram que montar um palco pra ela em Londres e fazer transmissão direta. Fiquei feliz com o show. Ela parece um pouco melhor, não tirou pó do cabelo, cantou as letras, surpreendente. Talvez ela não morra tão cedo. E eu não quero que ela morra porque sou egoísta e quero que ela grave mais discos maravilhosos que toquem no meu mp3 player durante um ano sem que eu enjoe.
Sou egoísta, chorei pela Amy Winehouse e essas fotos da Madonna na Playboy de 1985 são demais.
Outra: mulher pelada dá Ibope.


