sábado, 2 de agosto de 2008

A eterna reinvenção da literatura



Não é apenas sobre pensar se tudo já foi dito sobre o amor, mas sobre chegar à conclusão de que tudo não pode ter sido dito porque a sua história, leitor, ainda não foi escrita.

É besteira dizer que tudo já foi feito. Se os grandes escritores pensassem assim, Adolfo Bioy Casares nunca teria escrito A Invenção de Morel, no ano de 1940, época em que certamente já se repetia à exaustão o bordão: “Na literatura, nada é novo”.

Em A Invenção de Morel, tudo é novo, isso fica claro se pensarmos que o livro passou a figurar em todas as listas de melhores livros de ficção do século XX.

Mas quem somos nós para julgarmos o século XX, se nascemos nele?

(Com exceção de você, criança semi-alfabetizada que parou por aqui sem querer. E se parou e está lendo, meus parabéns, talvez você se torne um grande escritor um dia e possa chutar a cara de todos esses imbecis que dizem que é impossível inventar alguma coisa nova só para poder justificar toda sua obra pastiche).

Sabemos que julgar a nossa história muito de perto é besteira. Só o tempo pode julgar certos acontecimentos e a maior parte da nossa literatura.

Entretanto, se eu pudesse fazer uma aposta, diria que a Invenção de Morel ficará na história da literatura por muito e muito tempo.

E pensar que no mesmo ano foram escritos O Deserto dos Tártaros, do Dino Buzatti, e O Coração é um caçador solitário, da Carson McCullers. Coincidentemente, dois livros previamente revisados nesta publicação.

Aí você pode dizer, claro, mas talvez 1940 tenha sido apenas um ano especial para a literatura.

Bom, em 1939, um pouquinho antes, foram lançados As Vinhas da Ira, do John Steinbeck, e Finnegan’s Wake, do James Joyce. Então ficamos acordados que não foi tudo uma grande coincidência?

É fato que a humanidade pareça estar sempre em decadência, mas eu aposto minhas fichas que neste momento, caminha por aí o novo gênio, perturbado com a atual situação na literatura, mas bolando uma maneira de mandar o seu aviso. Ele diz: “Ei galera, vai ficar tudo bem”.

Vamos voltar ao Bioy Casares.

A Invenção de Morel não é apenas mais uma história de amor, mesmo que os sentimentos sejam os mesmos, que os ciúmes, a loucura, a ilusão, e tudo o que é ancestral e passional esteja contido nele.

A genialidade da narrativa e o desfecho da história do amor do escritor venezuelano por Faustine é que tornam essa história única. Não é à toa que Jorge Luis Borges, amigo de Bioy Casares, ao ler a novela, afirmou que não lhe parecia uma imprecisão ou uma hipérbole qualificá-la como perfeita.

(Para a Revista Idéias n° 81)

2 comentários:

luiz henrique dias disse...

adorei seu blog... gostei da meneira que escreves...
abraços
lh

Anônimo disse...

afirmações perigosas, hein.

bjo

vanessa