quarta-feira, 27 de junho de 2007

They try to make me go



Uma mistura de diva do jazz alcoólatra estilo Billie Holiday com a modelo britânica e anoréxica Kate Moss. Essa é Amy Winehouse, a nova ídola da música neosoul. A moça surgiu numa onda pós-Joss Stone (aquela branquela que fez muito sucesso aos 16 anos com voz de negra) cantando músicas que falam de álcool e homens. Seu segundo CD, Back to Black, estourou no ano passado com o hit Rehab, a música mais politicamente incorreta lançada por uma diva nos últimos tempos. Amy não fala de amores. Ela vai direto ao assunto, em Rehab: They try to make me go to rehab, but I'm saying no, no, no / I'm gonna, I'm gonna lose my baby so I always keep a bottle near / I don't ever wanna drink again I just ooh i just need a friend (Eles tentam me mandar para a reabilitação, mas eu digo não, não, não / Eu vou perder meu amor então eu sempre tenho uma garrafa por perto / Eu nunca mais quero beber de novo, Eu só preciso de um amigo).


Inglesa, alcoólatra e anoréxica. Amy tem tudo pra estourar nessas épocas em que ser magra, chique e despirocada é tudo. Mas o álbum vai além da imagem polêmica da cantora: as músicas têm um tom retrô, jazz antigo, do tempo das verdadeiras divas Nina Simone, Ella Fitzgerald e Etta James. Amy tem voz poderosa. Há quem diga que a menina deve aparecer no Brasil no segundo semestre para alguns shows. Vamos rezar para que ela consiga ficar em pé.

(Para a Revista Idéias nº 67)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Pagando de tradutora

Corona (Paul Celan, tradução de Paola De Orte)

Da palma da minha mão o outono come sua folha: somos amigos.
Nós descascamos o tempo das nozes e o ensinamos a andar:
o tempo volta para a casca.

No espelho é domingo,
no sonho se dorme,
a boca fala verdades.

Meu olhar desce até o sexo da amada:
nos olhamos
nós trocamos palavras obscuras,
nos amamos como ópio e memória,
nós dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no sanguinoraio da lua.

Nós ficamos abraçados na janela, eles nos olham da rua:
é tempo que se saiba!
É tempo que a pedra consinta em florescer,
que a inquietude atinja o coração.
É tempo, que seja tempo.

É tempo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

5:55

Para escutar em casa: Charlotte Gainsbourg, a filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin (o casal da música mais sexy do mundo, Je t’aime, moi non plus) lançou um CD no ano passado. O álbum 5:55 tem tudo o que podemos esperar do álbum de uma francesa gatinha: músicas lentas, sussurradas e sensuais. O disco foi composto em parceria com Jarvis Cocker, do Pulp e Neil Hannon, do The Divine Comedy, e teve como banda de apoio a dupla Air. Nada mal para um disco que é quase um début. Quase?


Sim, Charlotte estreou no mundo musical em 1986 aos 13 anos, quando gravou o álbum composto pelo paizão, Lemon Incest. O álbum causou polêmica na época por causa do teor das letras cantadas em dupla com Serge. Exemplo: L’amour que nous n’f’rons jamais ensemble / Est le plus rare le plus troublant / Le plus pur le plus énivrant / Délicieuse enfant / Ma chair et mon sang / Oh mon bébé mon âme (O amor que nós nunca faremos juntos / É o mais raro e perturbante / O mais puro e mais inebriante / Criança deliciosa / Minha carne e meu sangue / Oh meu bebê minha alma). Não se convenceu? No clipe da música, Charlotte e Serge dividem uma cama. Ele, sem camisa. Ela, de calcinha. Ah, esses franceses!

(Para a Revista Idéias nº 66)

quarta-feira, 13 de junho de 2007



Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon cœur
D'une langueur
Monotone.

terça-feira, 12 de junho de 2007

C'est moi

Não sou paraguaia. Não sou mexicana. É tudo mentira. E é óbvio.

Mas me cansa ter essa pele semi-morena, semi-branca, qualquer coisa entre o espanhol dos mouros e o inglês de yorkshire, que minha mãe tanto insiste ver em mim.

Ainda acho um braço índio nessa enorme árvore genealógica da família Cruz, portuguesa, mas meu sobrenome é De Orte, italiano.

E se quer saber, prefiro os mexicanos: não brigam por uma imbecil ascendência européia, geralmente provinda de pobres camponeses italianos ou fugidias vítimas de guerra.

Ela fala francês e tem a pele meio assim, com outra cor.

Bonsoir, Juanita.